22 de nov. de 2012

Codevasf vai operar as águas da transposição

Ministério da Integração Nacional definiu empresa como gestora dos canais do Rio São Francisco. Companhia é especializada em projetos de recursos hídricos

Giovanni Sandes

Um dos desafios será evitar o furto de água

Foto: Ricardo B. Labastier/JC Imagem

A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) foi escolhida para a mais difícil e complexa missão na transposição do São Francisco: será a operadora federal da gestão da água. Trata-se de uma missão crucial, uma responsabilidade com o futuro de 12 milhões de nordestinos que vai exigir uma reestruturação da Codevasf. A água será para uso humano, agrícola e industrial no Semiárido de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte.

O tema soa complicado, mas interessa. É o mais importante da transposição, porque trata da sua finalidade: como será o abastecimento de água.

O acumulado de problemas na megaobra faz a construção parecer o mais díficil, porém nada se compara ao desafio futuro de operar e manter os 713 quilômetros de canais, um emaranhado de motobombas gigantes, reservatórios e estações elevatórias que vão subir a água a mais de 300 metros de altura (mais que as duas torres da Moura Dubeux no Cais José Estelita empilhadas). Isso além do importante papel da fiscalização, para evitar furto de água e a contaminação por animais mortos, atraídos pela sede: bois e cabras já andam nas bordas e dentro dos canais.

“A gestão da água é muito mais complicada que a obra. De forma simplificada, imagine que pessoas não roubam energia das linhas de transmissão porque vão morrer. Mas basta quebrar um canal e ter água”, explica João Paulo Aguiar, diretor do Instituto Ilumina.

Com informações do Jornal do Comércio

21 de nov. de 2012

Foco da comissão da transposição do São Francisco será cronograma das obras

Raíssa Abreu
O senador Humberto Costa (PT-PE), relator da Comissão Especial Externa criada para acompanhar as obras da transposição do Rio São Francisco, apresentou, na manhã desta quarta-feira (21), as diretrizes que orientarão o trabalho do colegiado. O foco, de acordo com o parlamentar, estará na fiscalização do cumprimento do cronograma das obras, que só deverão ser concluídas em 2015. Pela previsão inicial, elas seriam finalizadas ainda em 2012.
A obra da transposição do São Francisco, uma das mais destacadas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo Luiz Inácio Lula da Silva, foi concebida para levar água do rio a municípios de quatro estados do Nordeste (Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte), frequentemente afetados pela seca, através de dois canais de concreto, chamados de Eixos Norte e Eixo Leste.
De acordo com o balanço mais recente do Ministério da Integração Nacional, as obras avançaram 43% do previsto. As atividades deveriam estar em andamento em nove lotes, mas estão estagnadas em quatro. O atraso na execução – alguns trechos ainda nem foram licitados – já elevou o custo da transposição de R$ 6,8 bilhões para R$ 8,2 bilhões.
Humberto Costa anunciou que a comissão deverá ouvir representantes dos ministérios do Planejamento, da Integração Nacional, da Casa Civil e da Defesa, além dos órgãos de controle responsáveis pela detecção dos atrasos e de irregularidades nos processos licitatórios.
Também serão chamados, de acordo com o relator, representantes das empreiteiras, das prefeituras e de movimentos sociais com atuação nos municípios afetados. A comissão também pretende realizar visitas às obras e audiências públicas nos estados.
Para Humberto Costa, as dúvidas quanto ao mérito da obra da transposição, no que diz respeito à sua viabilidade sócio-ambiental, estão superadas. Denúncias de superfaturamento nas obras, como as que recentemente envolveram a Construtora Delta, também não estarão entre os principais objetivos do colegiado, ainda segundo seu relator.
Por outro lado, Costa disse acreditar ser fundamental, nesse momento, fixar os marcos da “questão regulatória” do sistema de abastecimento que será gerado, de forma a garantir a “auto-sustentabilidade da transposição”.
- Essa oferta de água que vai ser criada precisa ser permanente. Isso tem um custo. Então, você tem que, ao mesmo tempo, garantir que esse sistema funcione e ver se ele se auto-sustenta  - disse.
Relatório de Auditoria
Parlamentares da comissão criada para acompanhar as obras da transposição do São Francisco receberam a visita de um grupo de deputados da Assembleia Legislativa do estado da Paraíba, que, recentemente, formou uma comissão para fiscalizar o andamento das obras naquele estado.
Responsável pelo trabalho, o deputado estadual Francisco de Assis Quintans (DEM) entregou aos senadores o relatório com as conclusões da auditoria. Segundo informou, os deputados se depararam com máquinas paradas e “oliveiras tomando conta das obras”.
- Nem com as máquinas mais modernas essa obra ficará pronta em três anos – afirmou.
Assis Quintans fez um apelo público por uma estratégia de enfrentamento das diversidades climáticas que deixe de focar na seca de todos os anos como problema principal.
- Estamos lidando com um processo de desertificação. O planeta está dizendo que não suporta mais os danos provocados pelo homem. A discussão tem que ser mais profunda, tem que envolver o Ministério da Ciência e Tecnologia, o Instituto de Pesquisa Espacial, a Embrapa, as universidades – disse.
Plano de trabalho
Os parlamentares da comissão voltam a se reunir na próxima quarta-feira (28), às 9h, para analisar e votar o plano de trabalho que o relator, Humberto Costa, não apresentou nesta quarta-feira, por falta de quorum.
A Comissão Especial Externa criada para acompanhar as obras da transposição do Rio São Francisco terá até o dia 22 de dezembro de 2013 para finalizar os seus trabalhos. Ela é presidida pelo senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) e tem como vice-presidente o senador Cícero Lucena (PSDB-PB).

Agência Senado

Bahia receberá oito usinas de energia solar


Empreendimentos nos municípios de Bom Jesus da Lapa e Oliveira dos Brejinhos - BA

Vista internacionalmente como uma tecnologia promissora, a energia solar ainda engatinha no Brasil, mas novos projetos indicam que ela deve avançar nos próximos anos. A Bioenergy, empresa atuante no mercado de energia limpa, recebeu recentemente outorga da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para oito empreendimentos nos municípios de Bom Jesus da Lapa e Oliveira dos Brejinhos, ambos no estado da Bahia. As futuras usinas solares somam 152 megawatts (MW) de capacidade.


Promissora internacionalmente, a energia solar deverá avançar no Brasil nos próximos anos. Novos projetos aprovados pela Aneel indicam isto
Foto: Getty Images
Os empreendimentos compreendem 14 plantas solares. A Bioenergy já havia adquirido da empresa Solyes, em agosto deste ano, uma usina de energia solar em Bom Jesus da Lapa no valor de R$ 7 milhões. A unidade com potência de 1 megawatt (MW) deverá entrar em operação no primeiro semestre de 2013.

A previsão da Bioenergy é investir R$ 20 milhões em empreendimentos que atingem 3 MW. "O Brasil precisa urgentemente de usinas de energia limpa que garantam a segurança do sistema e evitem a entrada, como ocorre agora, de térmicas com custos estratosféricos", afirma Sérgio Marques, presidente da empresa. Ele destaca que o preço de R$ 250,00 da matriz solar é três vezes menor do que as plantas movidas a óleo.

Dados da Agência Internacional de Energia apontam que a capacidade de geração energética solar cresce cerca de 40% ao ano desde 2000. A entidade estima que esta modalidade vai corresponder a 11% da produção de eletricidade mundial até 2050. No Brasil, apesar do grande potencial a produção ainda é pequena, são 2 MW por ano em projetos experimentais, em geral destinados a abastecer regiões não atendidas pela rede tradicional de energia elétrica.

Economídia
Especial para o Terra

Julgamento do goleiro Bruno é adiado

Advogado renunciou, e substituto pediu prazo por desconhecer processo.
Juíza Marixa Fabiane remarcou julgamento para 4 de março de 2013.

Rosanne D'Agostino, Pedro Triginelli, Cristina Moreno de Castro e Glauco Araújo 

Do G1, em Contagem (MG)

Goleiro Bruno conversa com advogados antes do início do terceiro dia de júri (Foto: Maurício Vieira/G1)

O julgamento do goleiro Bruno Fernandes foi desmembrado e adiado para 4 de março de 2013, segundo decisão da juíza Marixa Fabiane, anunciada nesta quarta-feira (21), no Fórum de Contagem, em Minas Gerais. O goleiro foi retirado do plenário para ser levado novamente para a penitenciária Nelson Hungria. O júri continua para dois outros réus no processo: Luiz Henrique Romão, o Macarrão, e Fernanda Gomes de Castro, ex-namorada do goleiro.

Inicialmente, a juíza havia anunciado que o novo júri ocorreria em janeiro. Mas ela afirmou, depois, que há dificuldade para conseguir jurados para compor o Conselho de Sentença neste mês, e que fevereiro tem poucos dias, em razão do Carnaval.

O adiamento foi concedido pela juíza a pedido da defesa de Bruno. O advogado Francisco Simim, que defendia o goleiro, apresentou um documento transferindo seus poderes a outro defensor, Lúcio Adolfo. Chamado de substabelecimento sem reserva de poderes, o documento pediu a substituição de Simim por Adolfo, que alegou não conhecer o processo para pedir o adiamento.

O corpo de defesa afirmou logo no início da sessão, por volta de 9h40, que o novo defensor precisa de prazo para ler o texto da ação. "Eu preciso de mais tempo para estudar esse processo", disse Adolfo no plenário.

Na terça-feira (20), o goleiro Bruno já havia tentado adiar o júri, com um pedido de destituição de seus advogados Rui Pimenta e Francisco Simim. A juíza Marixa aceitou o pedido de saída de Pimenta, após o jogador alegar que não se sentia seguro para continuar com ele, e negou o de Simim.
A juíza afirmou que "não obstante haver claras evidências de manobra, por outro lado também é verdade que o documento que foi apresentado a mim foi de substabelecimento", justificando sua decisão. "Estou acolhendo o pedido da defesa para conceder ao advogado prazo para o conhecimento do processo", disse ela.

O promotor Henry Wagner Vasconcelos de Castro afirmou que o pedido dos advogados de Bruno foi uma manobra para adiar o júri e que eles atentam "contra quem quer trabalhar". O Código Penal, lembrado pelo promotor, prevê multa de dez a 100 salários mínimos por abandono de processo que não for por motivo imperioso.
Castro criticou a medida adotada pela defesa do goleiro em plenário. "Algumas das defesas, sob a capa da astúcia e da bravata, só manobram", disse. O promotor pediu ainda que os advogados "dignifiquem a advocacia" e "respeitem a Justiça".

Para o novo advogado de Bruno, a ação não foi uma manobra. "Eu tomei conhecimento do processo hoje, a juíza autorizou que eu pegasse uma cópia do processo. Vou me dedicar e vou me preparar para uma defesa que vá de encontro com as necessidades" do goleiro, disse ele.
Questionado pelos jornalistas, Adolfo perguntou: "Vocês acham que neste ambiente tenso é possível se fazer um julgamento justo?", referindo-se ao júri instalado desde segunda-feira.

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Estratégia, sim
Segundo Simim, a mudança, que implicou no adiamento do júri do goleiro, foi uma estratégia. “É estratégia sim, porque a gente precisava de mais tempo para estudar o processo”, disse o advogado.
Na opinião de Simim, o desmembramento valeu para “ganhar prazo, porque tem um habeas corpus para ser julgado”, se referindo ao pedido de soltura impetrado pela defesa do goleiro no Supremo Tribunal Federal (STF), e ainda não julgado. Segundo o advogado, o novo defensor será o único representante de Bruno no plenário, a partir de hoje. Mas, nos bastidores, Simim disse que toda a equipe continua trabalhando pela defesa do goleiro.

O novo advogado contradisse Simim, ao afirmar que a substituição não é uma estratégia da defesa. "Absolutamente. Não é uma estratégia, é uma necessidade", afirmou. Adolfo disse ainda que a juíza foi "compreensiva" ao lhe conceder o prazo de dois meses para a leitura do processo. "Vou me debruçar sobre o processo. (...) O prazo é bom. Não é manobra. Não vou forçar um adiamento", completou.

Em entrevista na porta do Fórum de Contagem, o novo advogado disse não conhecer nada das 15 mil páginas que integram o processo, e que o prazo era necessário para a leitura dos autos. “Fui chamado para participar da defesa do Bruno hoje. Não conhecia o processo. Pedi à juíza um prazo para que eu pudesse analisar a matéria junto com o doutor Tiago Lenoir e o doutor Francisco Simim. E vamos fazer isso."

Lúcio Adolfo ainda se defendeu a respeito das várias trocas de advogados na defesa do goleiro, dizendo que é preciso respeitar "o que é legal". "Essa é uma estratégia legal de trabalho. Se beneficiar o Bruno, qual o problema? Você acha que eu faria algo para prejudicá-lo? Acabei de falar com ele e ele está tranquilo, vai voltar para o presídio tranquilo."





 

Detento afirma que Bola disse ter jogado 'as cinzas de Eliza às águas'

Testemunha Jaílson de Oliveira foi ouvido pela acusação nesta terça (20).

Ele disse que foi ameaçado por policial e que corre risco de vida na cadeia.

Rosanne D'Agostino 
Do G1, em Contagem (MG

O detento Jaílson Alves de Oliveira, arrolado pela acusação como testemunha, disse ao júri nesta terça-feira (20), segundo dia de julgamento do caso Eliza Samúdio, que ouviu "várias vezes" Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, dizer que jogou "as cinzas de Eliza às águas". Ele disse ainda que, ao perguntar o que Bola faria se o corpo da vítima fosse encontrado, o réu respondeu: "Só se os peixes falarem".

Em depoimento prestado à polícia, lido na íntegra durante a sessão, Oliveira diz ter ouvido a confissão de Bola sobre o crime. A testemunha disse que tempo depois foi ameaçada por um policial para retirar seu depoimento. "Sei de toda sua família", teria sido a ameaça. O detento afirmou à juíza que está preso na Penitenciária Nelson Hungria, recolhido na enfermaria por medida de segurança. "Disseram que sou cagueta. Corro risco de vida."

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Testemunhas de defesa serão ouvidas no 3º dia do júri do caso Eliza

Sessão terá início com parecer sobre pedido para dispensa de testemunhas.

Segundo promotor, ao menos cinco delas foram flagradas com celular.


Do G1 MG

20.nov.2012 - Bruno e Macarrão acompanham os depoimentos das testemunhas de acusação, neste segundo dia do júri popular (Foto: Vagner Antonio/Tribunal de Justiça de Minas Gerais)


No terceiro dia do julgamento do caso Eliza Samudio, a previsão é que testemunhas de defesa sejam ouvidas no Tribunal do Júri de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A sessão deve ser iniciada às 9h desta quarta-feira (21), com a decisão sobre o pedido da acusação para que ao menos cinco testemunhas sejam dispensadas, sob alegação de “quebra de incomunicabilidade”. Segundo o promotor Henry Wagner Vasconcelos de Castro, estas pessoas foram flagradas usando telefone celular.

De acordo com o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), primeiramente, serão ouvidos os advogados dos réus, depois a promotoria e, por fim, será dado o parecer da juíza Marixa Fabiane Lopes sobre o pedido. Ainda segundo a Justiça, como há esta pendência em relação às testemunhas, não está decida a ordem dos depoimentos em defesa do goleiro Bruno Fernandes, de Luiz Henrique Romão – o Macarrão – e de Fernanda Gomes de Castros.

A previsão inicial era que 25 testemunhas de defesa fossem ouvidas no julgamento. Com o desmembramento do júri de Dayanne Rodrigues de Souza e de Marcos Aparecido dos Santos, este número caiu para 15 – cinco de cada réu. As oitivas da acusação foram concluídas nesta terça-feira (20). Conforme o TJMG, quatro testemunhas foram ouvidas em plenário, e uma, por carta precatória.

Segundo dia
Na segunda sessão do júri popular do caso Eliza Samudio, realizada nesta terça-feira (20) no Fórum de Contagem, em Minas Gerais, o goleiro Bruno Fernandes destituiu o responsável por sua defesa, Rui Pimenta. Ele tentou afastar também o outro defensor, Francisco Simim, mas o pedido foi negado pela juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues, que viu manobra para adiar o julgamento. Tiago Lenoir foi apresentado como novo advogado da equipe de defesa, que será conduzida por Simim.

O pedido de Bruno resultou na saída da ré Dayanne, ex-mulher do goleiro, do júri popular. Ela responde à ação em liberdade e terá mais tempo para ser defendida por outro advogado, em julgamento com data ainda não marcada, possivelmente junto com Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, que também conseguiu o desmembramento do júri. A partir de agora, o júri conta com apenas três réus.

Ao longo do dia, foram ouvidos depoimentos de três pessoas: João Batista, citado no depoimento de Cleiton Gonçalves, ex-motorista de Bruno; Ana Maria Santos, delegada que falou sobre o depoimento de Jorge Luiz Rosa, primo de Bruno Fernandes; e Jaílson Alves de Oliveira; detento que disse ter ouvido na cadeia a confissão de Bola sobre a morte de Eliza.

Bruno e os demais réus enfrentam júri popular por cárcere privado e morte da ex-amante do jogador, Eliza Samudio, em crime ocorrido em 2010. A previsão é que o julgamento dure pelo menos duas semanas.

'Cinzas de Eliza às águas'
O detento Jaílson Alves de Oliveira, arrolado pela acusação como testemunha, disse ao júri nesta terça-feira (20), segundo dia de julgamento do caso Eliza Samúdio, que ouviu "várias vezes" Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, dizer que jogou "as cinzas de Eliza às águas". Ele disse ainda que, ao perguntar o que Bola faria se o corpo da vítima fosse encontrado, o réu respondeu "só se os peixes falarem".
 
Em depoimento prestado à polícia, lido na íntegra durante a sessão, Oliveira diz ter ouvido a confissão de Bola sobre o crime. A testemunha disse ter sido ameaçada por um policial para retirar seu depoimento. "Sei de toda sua família", teria sido a ameaça. O detento afirmou para a juíza que está preso na Penitenciária Nelson Hungria, recolhido na enfermaria por medida de segurança. "Disseram que sou cagueta. Corro risco de vida".
ilustração testemunha 300 (Foto: Leo Aragão/G1)
Testemunha de acusação, Jaílson conversa com a
juíza durante o depoimento (Foto: Leo Aragão/G1)

Os réus Bruno Fernandes e Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, estão presos na Penitenciária Nelson Hungria em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Bola está no Presídio Jason Soares Albergaria, em São Joaquim de Bicas, também na Grande Belo Horizonte.

Jaílson Alves de Oliveira disse que ouviu Bola contar que não jogou a mão de Eliza para os cachorros e que não fez nada na casa dele, e sim em um terreno. Ele afirmou ainda que Bruno teria armado um plano caso fosse condenado, dizendo que estava doente para ser resgatado a caminho do presídio.

A testemunha também afirmou que Cleiton Gonçalves não era motorista de Bruno, embora dirigisse veículos do goleiro. De acordo com a testemunha, Gonçalvesvendia drogas para Macarrão, apontado como chefe do tráfico em Ribeirão das Neves. "Eu já conhecia o Macarrão, o Cleiton e a mãe do Cleiton".

Por duas vezes, Jaílson Alves de Oliveira arrancou risos do plenário. Primeiro, questionado pelo novo advogado de Bruno de por que era representado por um ex-defensor do goleiro, respondeu: "eu sou cliente dele. Você não defende o seu?". Depois, ao explicar o apelido de Miyagi. "É por causa daquele lutador de caratê", disse à magistrada.

'Amarrada e chutada'
A primeira testemunha a ser ouvida pelo júri popular em Contagem foi João Batista, citado no depoimento de Cleiton Gonçalves, ex-motorista de Bruno. Batista disse que Gonçalves estava "com as mãos livres, sem algemas, bem à vontade" quando prestou depoimento para a polícia e que, perguntado se estava bêbado ou lúcido, respondeu "lúcido". Ele disse ainda que o ex-motorista do jogador não aparentava nenhum temor.

Na segunda-feira, Cleiton Gonçalves disse que prestou depoimento à polícia sob pressão. Em sua fala, o ex-motorista afirmou ter ouvido o primo de Bruno, Sérgio Rosa Sales, dizer que Eliza "já era". Ele ficou retido desde ontem para uma possível acareação com Batista, mas a juíza julgou o encontro desnecessário e dispensou as duas testemunhas.

Depois disso, a delegada Ana Maria Santos prestou esclarecimentos e deu detalhes sobre o depoimento dado à polícia por Jorge Luiz Rosa, primo do goleiro Bruno Fernandes, em 2010. Segundo ela, Rosa disse que Eliza Samudio foi amarrada e chutada antes de ser morta.


"Deu uma gravata e, durante o tempo em que era apertada, apertada, ela foi perdendo fôlego, foi virando os olhos, a língua dela foi indo para fora, saiu espuma da boca dela e ela caiu ao chão e, depois de poucos movimentos, ficou lá, morta", disse a delegada, referindo-se ao depoimento do primo de Bruno.

Rosa, que era adolescente à época dos fatos, disse à polícia que o homem que matou Eliza tinha o apelido de Neném, também conhecido como Bola, que era grisalho e apresentava um problema no dente. Ele disse ainda que Eliza dormiu trancada em um quarto quando estava sob cárcere privado no Rio de Janeiro e que o filho da ex-amante de Bruno foi mantido com a ex-namorada do goleiro, Fernanda Gomes de Castro, também ré no processo.

Questionada pelo promotor Henry Castro, a delegada afirmou que o depoimento do primo do goleiro dado à polícia transmitiu confiança. "Sem dúvida nenhuma, pela riqueza de detalhes, pelo modo como ele fez aquela narrativa". Atualmente, Jorge Luiz Rosa está inserido no Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte, de acordo com o Ministério Público.

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Ex-mulher de Bruno deixa júri
O goleiro Bruno Fernandes de Souza pediu a destituição de seus advogados Rui Pimenta e Francisco Simim durante o segundo dia de julgamento. Logo ao início da sessão, o jogador afirmou que não se sentia seguro para continuar com Rui Pimenta e pediu tempo para achar outro advogado. A juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues, no entanto, lembrou que ele ainda possuía outro defensor, Francisco Simim.

Depois de alguns minutos, o goleiro pediu a palavra novamente e disse à juíza que estava destituindo também Simim, que representa a sua ex-mulher, Dayanne Rodrigues, ré na ação. A magistrada entendeu que o goleiro pretendia adiar seu julgamento e negou a solicitação, mas Bruno negou esse objetivo e alegou que não queria prejudicar a defesa de Dayanne.

O promotor do caso pediu para que Dayanne, que responde à ação em liberdade, tivesse mais tempo para ser defendida por outro advogado. Bruno, réu preso, tem preferência de julgamento. A juíza seguiu este entendimento e determinou que Dayanne seja julgada em outra data, possivelmente junto com Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, que conseguiu o desmembramento do júri.

Rui Pimenta, destituído da defesa por Bruno, disse que foi "pego de surpresa" com a decisão do cliente. "O Bruno agradeceu o trabalho feito, mas disse que queria mudar de estratégia", explicou o advogado, que diz torcer para que ele seja absolvido. "Faço votos que isso [a destituição] seja bom para ele".


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Carlinhos Cachoeira está em casa com a família, em Goiânia

Após quase 9 meses na prisão, contraventor deixou a Papuda nesta quarta.
'Ele está feliz, tranquilo e só quer abraçar os filhos', diz sobrinho do bicheiro.

 
Gabriela Lima 
Do G1 GO

O bicheiro Carlinhos Cachoeira chegou à casa onde mora, em um condomínio de luxo em Goiânia, às 2h35 desta quarta-feira (21). O carro que transportou o contraventor entrou no local acompanhado de mais dois veículos de familiares, entre eles a mulher dele, Andressa Mendonça.

Carlinhos Cachoeira deixa prisão em Brasília
(Foto: Reprodução/TV Anhanguera)
Acusado de comandar um esquema de jogo ilegal em Goiás, Cachoeira ficou preso 265 dias e deixou o presídio da Papuda, em Brasília, à 0h04. Depois de sair da prisão, ele se encontrou com familiares no escritório dos advogados, em Brasília. A informação é de um sobrinho dele, Fernando Cunha Neto (PSDB), que é vereador em Anápolis, cidade a 55 quilômetros de Goiânia. Em entrevista ao G1 por telefone, o político disse que o tio está "feliz e tranquilo".


Chegada de Cachoeira e familiares a condomínio de luxo em Goiânia (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)
 Segundo Cunha, além dele e Andressa Mendonça, viajaram até a capital federal seis dos 12 irmãos de Cachoeira e o filho mais velho do contraventor, um adolescente cuja idade não foi divulgada. "O que ele [Cachoeira] quer agora é reencontrar a família e abraçar os dois filhos mais novos", disse o político.

Condenação
Na terça-feira (20), a 5ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Distrito Federal condenou o bicheiro a cinco anos de prisão em regime semiaberto pelos crimes de formação de quadrilha e tráfico de influência, por tentar fraudar o sistema de bilhetagem do transporte público de Brasília. Os crimes foram apontados pela investigação da Operação Saint Michel.

Segundo o advogado de Cachoeira, Nabor Bulhões, o bicheiro foi solto porque tem o direito de recorrer da decisão em liberdade até o trânsito em julgado da ação (quando não há mais possibilidade de recurso). A informação não foi confirmada pelo TJ.

Antes da soltura de Cachoeira, Bulhões, conversou com a imprensa e negou que ele tenha cometido os crimes de formação de quadrilha e tráfico de influência. Segundo o advogado, que afirmou que vai entrar com recurso contra a condenação, o fato de Cachoeira já ter sido mantido preso preventivamente pode facilitar o cumprimento da pena imposta.

"Como ele já cumpriu cerca de seis meses (sic) de prisão, que corresponderia a praticamente um sexto da prisão imposta, ele não cumpriria prisão em regime semiaberto, mas em regime aberto", afirmou Bulhões.

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